Sanvale integra Comitê que monitorará chegada da lama tóxica ao Rio São Francisco

Preocupados com os desdobramentos do rompimento da barragem em Brumadinho (MG), integrantes da sociedade civil se reuniram na manhã desta terça-feira (05) no Campus III da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), em Juazeiro (BA). Na ocasião foi criado um comitê que irá monitorar o avanço da lama tóxica. A primeira reunião deste grupo, já formalizado, acontece nesta quarta-feira (06), às 9h, no auditório da universidade.

 

A bióloga e coordenadora técnica da Sanvale, Silvia Mariana Barbosa, participou do encontro e se voluntariou para integrar a força-tarefa pelo Velho Chico. “Vamos acompanhar as notícias de perto, informar a população ribeirinha sobre a real situação do rio e provocar o Ministério Público. Queremos que alguém se responsabilize”, relata. O comitê também propôs um monitoramento mais assertivo dos danos, tanto em estrutura como em corpo técnico, com análises que contemplem os metais pesados despejados no São Francisco. 

Durante a reunião, foram levantadas as informações divulgadas pelos órgãos do governo. “Ainda não há um consenso se a lama, que já contaminou o Rio Paraopebas, irá impactar o leito acima do complexo de Retiro Baixo, onde chega a partir desta terça-feira (05); e como esse material tóxico será recebido em Três Marias. Enquanto o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e a Agência Nacional das Águas descartam a contaminação, órgãos como FioCruz, Embrapa e vários pesquisadores seguem preocupados – principalmente com o aumento das chuvas naquela região”, relata a especialista em tecnologia ambiental.

Segundo o secretário de governo da prefeitura de Brumadinho (MG), Ricardo Parreiras, “não existe mais vida aquática no rio Paraopeba”. Ele alega, ainda, que a água nas proximidades da cidade está totalmente contaminada e que o nível de oxigenação para peixes e outros animais é zero. Além da lama, o rio carrega metais pesados em níveis muito acima dos recomendados, segundo o secretário.

Silvia explica, ainda, que os minérios dissolvidos na água não podem mais ser retidos com as tecnologias disponíveis no momento – apenas a pluma de sedimentos que sobrenada o rio. “Substâncias como ferro, arsênio, chumbo, manganês e alumínio só podem ser filtrados da água em nível nanotecnológico – algo que custa muito caro. E a ozonização está fora de cogitação”, comenta.

A composição exata dos rejeitos da barragem ainda não é conhecida, embora já tenham sido identificados mercúrio, cádmio e chumbo. O governo de Minas Gerais coletou amostras e deve divulgar os resultados em 15 dias. Além dos efeitos imediatos, como náuseas, vômitos e dermatites, a contaminação com metais pesados pode causar transtornos neurológicos até 10 anos após o contato, a depender da concentração.

Participaram da reunião informal, ainda, AMMA, SAAE, a Promotoria do Meio Ambiente de Petrolina, professores e servidores da Univasf e Uneb, movimentos estudantis, além de coletivos de pescadores e agricultores.

 

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Visitante Sábado, 23 Março 2019
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